Na boca da noite com Yara Cilyn, versos e prosa

Encontro quando escrevo o outro lado de mim, sou o Yin e o Yang, sou total.

  

 

 

 

 

 

 



 

 Meus queridos amigos,

 

Neste ano de 2012 o dia  espreguiça-se em beleza; poraue a noite exibe-se, os pirilampos clareiam nos arbustos, os grilos saltam e cantam. As estrelas em prata preparam-se para o desfile de luz. O céu torna-se vermelhão e as redes nas varandas são blançadas pelo vento que dansa por perto. Começa um deslumbramento que entontece , prosas são contadas, toadas são cantadas bocas são beijadas e versos declamados. É o sarau nabocadanoite. 

Entre, sente-se, esteja à vontade O espaço também é seu.,

Uma melodia idilico vem ninguém sabe de onde e, de repente  tudo é uma coisa só: encantamento. As aves aquietam-se as formigas param na trilha, os viandantes emudecem e um poeta ergue a voz para dizer sorrindo:  

TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÃO É PEQUENA.  


 

O eco repete, repete, repete.

 


 

Versos são ditos, pensados, dedicados; e a gente nem sente que vai anoite...Ser

Há muita satisfação em oferecer algo que veio da alma e muito a agradecer, muito amor para ofertar  e alegria sem fim em receber.

 



 

                    

Aprecie o céu estrelado;  a conversa das folhas com o vento;  sinta o cheiro do verde e deixe o perfume de frutos e sementes impregnar sua pele; escancare seu coração; erga os braços e tente alcançar uma estrela, iniciar um colóquio, usar um anel de Saturno, deitar-se na vieira de Afrodite, ser pela cauda de um cometa clareada alternadamente. enquanto abraça seu amor e há no céu um bailado cósmico inexplicável.

 

O olhar alcança distância nunca percorrida:  aquela cujo caminho escondemos.

 

O olhar alcança distâncias tão sutis que julgamos ter a chave do final do caminho. Mas... por haver o EGO, nem imaginamos que o caminho não tem fim.


Obrigada por entrar, esteja à vontade. Aqui tudo é feito, dito e sentido com muito amor e meu amor é seu..

 

Fiat volutas mea

 

 

Na boca da noite ( Toquinho )

 

Cheguei na boca da noite,
Parti de madrugada
Eu não disse que ficava
Nem você perguntou nada

Na hora que eu ia indo,
Dormia tão descansada,
Respiração tão macia,
Morena nem parecia
Que a fronha estava molhada
Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada

Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

Gente da nossa estampa
Não pede juras nem faz,
Ama e passa, e não demonstra
Sua guerra, sua paz

Quando o galo me chamou,
Eu parti sem olhar pra trás
Porque, morena, eu sabia,
Se olhasse, não conseguia
Sair dali nunca mais
Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada

Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada
O vento vai pra onde quer

A água corre pro mar
Nuvem alta em mão de vento
É o jeito da água voltar
Morena, se acaso um dia
Tempestade te apanhar
Não foge da ventania,
Da chuva que rodopia,
Sou eu mesmo a te abraçar

Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada
Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

*

E ela pisava nos astros distraída...

Ela pisava nos astros distraída...
 

 

 

 

 

Imagens: obras de Duy Huyn, pintor vietnamita

 

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